Minha equipe é uma equipe mesmo? Por Raphael Lobo

0707Certamente nos dias de hoje, não há mais como não se fazer uma analogia com relação ao mundo corporativo e uma equipe esportiva qualquer. Time, treinamento, líder, “coach”, alvo, “players”, enfim… termos e ações que tiveram origem justamente do meio esportivo, dão a tocada de qualquer ação em empresas que se presa o mínimo de excelência no comando das suas funções.

Inclusive. por vezes, sou questionado de “como cheguei aqui” na minha carreira profissional sendo formado em educação física. A resposta é simples e foi dada já na introdução acima.

Mas não é isso que vou abordar. Não falando de mim.

Sua equipe está sendo tratada como uma equipe? Mesmo?

Acompanhando o início dos campeonatos regionais de futebol pelo Brasil, escutei com regularidade a frase: “a equipe está em início de temporada ainda”; claramente justificando todo e qualquer insucesso ou uma atuação não condizente com as cores do dito MANTO SAGRADO.

Falando ainda de futebol, depois de um período de quase um mês gozando de férias, um atleta retoma suas atividades passando por uma reavaliação física (para avaliar os estragos alimentares e talvez falta de atividade física) e aí partem para a tal da pré temporada. Readaptação física e comportamental com a equipe devido a saída e chegada de novos colegas. Exercícios isolados que ajudarão no reencontro com sua função principal que é a bola. Jogos coletivos simulam situações reais das futuras partidas oficiais. Ou seja, se é pra errar ou não acertar ainda, existe um momento pra isso e que não trará prejuízos nem para o atleta, nem para quem ele representa.

Durante os jogos a doação total é valorizada mesmo que isso possa ter por consequência uma lesão que afaste o atleta por alguns dias ou jogos.

Observando este quadro, será que ainda podemos tratar a equipe corporativa como uma equipe esportiva?

Entendo que até poderemos tratar analogias não como formas exatas e sim comparativos, mas até que pontos podemos sim fazer a gestão de uma equipe como uma equipe? Até que ponto poderemos passar de um discurso motivacional para uma pratica vencedora?

Primeiro, lógico, é saber quem faz parte dessa minha equipe e qual o verdadeiro potencial de cada um. Não adianta você continuar a chamar apenas de incompetentemente alguém cuja competência não se alinha com a sua exigência sem entender deste processo. Pessoa no lugar errado. Neymar jamais seria o jogador que é se seu técnico o tivesse colocado para jogar como goleiro. A cada temporada, dentro de uma normalidade, equipes trazem reforços para as posições que não foram a contendo na temporada passada.

Com o grupo alinhado, hora de treinar. Muitos treinamentos não surtem efeito devido à falha de diagnóstico do grupo. Não se sabe exatamente o problema e muito menos que solução dar. É quase como para um técnico de futebol que estuda na Europa novas formas de treinar e comandar uma equipe, e chegando ao Brasil, tentando aplicar essa nova tecnologia, percebe que o material humano não tem nada a oferecer à este novo formato. O melhor remédio de dor de cabeça sendo usado para inflamação no estômago.

Não tem condições financeiras de grandes contratações? Treina-se. Cria-se profissionais nos moldes desejados. O famoso trabalho de base de um clube esportivo. Estagiários, pequenos aprendizes, trainees e por aí vai. O encaixe de experiência e juventude sempre foi a melhor receita para qualquer time. Quantos de cada caberá ao comando avaliar. Você avaliar.

Uma equipe é o reflexo do comando. Muitas vezes o “turn over” é altíssimo porque não se vê que quem tem que sair é quem manda. O comodante não percebe que o que se impõe, não tem respaldo na mão de obra que tem.

Ambientes intoxicados por egos, conchavos, esquemas e corporativismos estão fadados a serem fábricas de profissionais desmotivados é anti-éticos.

“ah mas aqui somos uma família”

Uma empresa não é uma grande família, família briga. Você empresta dinheiro para o irmão e se ela não pagar, vai conversar com ele só no próximo velório. Uma família não se reúne e define demitir o bebê para equilibrar as contas.

Uma equipe respeita, confia, joga junto. Não precisa se amar como muitos vendem por aí. Precisa apenas de planejamento de todas a partes envolvidas e líderes que saibam executar o que foi determinado.

Um único adendo, pré-temporada pra nós não existe, derrotas no início terão certamente reflexo no futuro. Desta forma, o preparo sempre vai ser continuo, sem começo, meio e fim. Objetivos traçados conforme razões avaliadas. Pense nisso.

Seja o técnico de uma e de sua equipe.

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